sexta-feira, 30 de março de 2012

Os Sacristãos e o Velório do Coronel


No sertão de Xique-Xique
Na beira do Velho Chico
Viviam dois sacristãos
Um moço outro menino
Que em dia de velório
Na igreja tocavam sino.

Mas quem quisesse ouvir
Som de sino bem tocado
A cada um dos sacristãos
Tinha que fazer agrado
E a família do defunto
Aos meninos davam trocados.

Vivia ali um coronel
Homem rico e respeitado
Mas que andava doente
Pelo Doutor desenganado
E na manhã de domingo
O coronel virou finado.

Os sacristãos foram chamados
Para o sino badalar
Pois o defunto é coronel
Homem rico pra danar
E aquele grande velório
Todos iam admirar.

Na residência da viúva
Os sacristãos foram bater
E pediram à família
Dez reais pro serviço fazer
Mas ia ser trabalho bom
Pra ninguém esquecer.

Os sacristãos tocaram o sino
Por três horas sem parar
Cada um tocava um pouco
Para os braços não cansar
E o badalo foi soando
Até a missa começar.

A missa foi celebrada
Pelo Padre Frei Chicão
Era Frei muito valente
De coronel gostava não
Mas a missa celebrou
Aquele tava no caixão.

A missa foi muito bela
Gente de todo lugar
Tinha até carpideira
Chorando sem parar
Mas os sacristãos queriam
Era a missa terminar.

Quando a missa terminou
Foram logo se aprontando
Cada um de um lado
As portas foram fechando
Mas um grupo de beatas
Inda tava lá chorando.

Os sacristãos tavam perdidos
Sem saber o que fazer
Naquela noite tinha filme
E não queriam perder
Tinham chamado as meninas
Para o cinema conhecer.

Então tiveram uma idéia
A igreja iam fechar
As beatas ficariam
Para ao defunto rezar
Depois do filme voltavam
Para as velhas libertar.

E assim mesmo fizeram
Fecharam toda a igreja
E seguiram pro cinema
Correndo numa peleja
E assim que lá chagaram
Encontraram suas princesas.

Uma era Geny
Cabelo longo e cacheado
A outra, Fabiana
Olhos grandes azulados
E por essas duas meninas
Eles estavam enamorados.

E no cinema entraram
Para o filme assistir
Era filme de terror
E só adulto tinha ali
Mas nem se preocuparam
Só queriam se divertir.

Mas o filme era pesado
Ficaram todos tremendo
Quando a sessão terminou
Pra casa foram correndo
E das beatas da igreja
Acabaram esquecendo.

Na manhã do dia seguinte
Quando do sono acordaram
Lá na praça da matriz
Os dois se encontraram
Só naquele momento
Do esquecido se lembraram.

Correram até a igreja
Para aquilo resolver
E abriram logo a porta
Para a bronca receber
E quase foram pisados
Pelas velhas a correr.

- O coronel sumiu!
Gritava a velha assustada
- Foi engolido pela cobra!
Uma outra emendava.
Mas o que aconteceu?
Estavam as velhas piradas?

Só no cair da noite
Quando tudo espaireceu
É que as velhas contaram
Como tudo aconteceu
E todos tiveram medo
Daquilo que sucedeu.

Foi então que se lembrou
Duma história do passado
Fato real e verdadeiro
Pelo coronel negado
Pois por sua causa
Sua filha tinha pecado.

O coronel sempre foi bruto
Era chamado matador
Todos dele tinham medo
Do menino até o Doutor
Inclusive sua filha
Que dele tinha pavor.

A filha do coronel
Só vivia dentro de casa
Só saia com a mãe
Para a missa e para a aula
Coitada dessa menina
Parecia alma penada.

Quando a moça ficou jovem
Um tropeiro conheceu
Daquele homem ela gostou
E com ele se envolveu
Mas a moça engravidou
E quase enlouqueceu.

Para o bucho esconder
Um pano ela amarrou
E durante nove meses
O pai ela enganou
E um dia atrás da igreja
O seu filho ela pegou.

Sem saber o que fazer
A moça ficou pensando
Não podia ir pra casa
Com um bebê chorando
E no seu desespero
No rio acabou jogando.

Quando o bebê caiu na água
Numa cobra ele virou
Era uma cobra gigante
Que à mãe impressionou
E nadando pelo rio
O grande bicho se mandou.

Mas foi dentro da igreja
Lá embaixo do altar
Que aquele enorme bicho
Foi de fato se abrigar
E depois de cada missa
Em sua mãe ia mamar.

Então todos entenderam
O que de fato aconteceu
Com o corpo do coronel
Que da igreja escafedeu
Foi engolido pela cobra
Animal neto seu.


FIM

Link
Texto: Layno Sampaio Pedra
Imagem:
Sebáh Kanino - o Morlock

Este é o primeiro cordel de Layno e foi produzido a partir de uma história criada e contada por ele e Alcides Valente numa das oficinas de contadores de histórias do Teatro Griô. A história teve como inspiração a lenda da serpente gigante da Igreja do Miradouro em Xique-Xique.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Histórias de Mãe Beata



Ancestralidade e sabedoria popular são os fios condutores da montagem “Histórias de Mãe Beata”, encenada pelo grupo Akpalôs com direção de Rafael Morais, que estreia dia 02 de outubro no Teatro Xisto Bahia e fica em cartaz aos domingos, sempre às 11 horas, até o dia 20 de novembro.

As pequenas fábulas recheadas de magia levam para o palco contos da Yalorixá Mãe Beata de Yemonjá, natural de Cachoeira, registrados no seu livro “Caroço de Dendê”.

Nas tramas, sempre costuradas por músicas e danças, os contadores traduzem de maneira divertida e singela a vida e o encanto do Recôncavo Baiano, os mitos dos orixás e histórias de animais astutos e sagrados.

Para a encenação, o grupo buscou fazer uma imersão nos mitos e lendas narrados por Mãe Beata, encenando as histórias que mais lhes tocaram, inspirados pela tradição dos contadores de histórias e da memória e cultura dos povos africanos.

A direção musical do espetáculo é do músico e compositor baiano Cássio Nobre, que da cores e ritmos às Histórias de Mãe Beata. Os ingressos serão vendidos na bilheteria do Teatro Xisto Bahia nos dias das apresentações por R$ 10 e 5.

O grupo
O Akpalôs – fazedores de histórias - é um grupo de narradores que nasceu da oficina “Teatro Griô: O Prazer de Contar Histórias” e atualmente é formado por Alcides Valente, Clara Soares, Layno Pedra, Zeza Barral, Lícia Margarida, Jô Stella, Josin Fernandes e Zidi Brandão, com coordenação de Rafael Morais.

Estes artistas narradores buscam levar a arte de contar histórias, com toda sua poesia e simplicidade, para os mais diversos ambientes e públicos: quintais, museus, teatros, escolas, praças, igrejas, terreiros, bibliotecas, são eternos palcos destes contadores. A sutileza das histórias de vida e contos populares representados por esta turma seduzem espectadores de todas as idades, abertos ao encantamento da vida.

A fonte de inspiração para o grupo está nos contadores de história de matriz africana, artistas populares e palhaços, que resumem a simplicidade da essência humana com muito humor e poesia. Coordenando este processo criativo está o Teatro Griô, grupo de pesquisa e prática do teatro criado por Rafael Morais e Tânia Soares, que desenvolve pesquisas e técnicas próprias para a contação de histórias, improvisação teatral e palhaço e formação em teatro para crianças e adultos.


Ficha Técnica:
Concepção Cênica e Direção: Rafael Morais;
Elenco: Alcides Valente, Clara Soares, Layno Pedra, Zeza Barral, Jô Stella e Zidi Brandão;
Assistente de Direção: Diogo Ferreira;
Cenário e Figurinos: Tânia Soares;
Direção Musical: Cássio Nobre;
Músicos: Cássio Nobre e Ricardo Hardmann;
Técnica de Canto: Marcelo Jardim;
Coreografia: Rosângela Santos;
Luz: Marcos Fernandes;
Operação de Luz: Nando Zâmbia;
Designer: Tai Oliver;
Assessoria de Imprensa: Lívia Nery;
Fotografia: Rafael Martins, Lívia Nery e Felipe Pomar;
VÍdeo: Felipe Pomar;
Produção: Geise Oliveira;
Realização: Teatro Griô e Akpalôs: Fazedores de histórias

Serviço
O QUE: Apresentação do espetáculo “Histórias de Mãe Beata”;
QUANDO: domingos 02, 09, 16, 23 e 30 de outubro, 06, 13 e 20 de novembro, às 11 horas;
ONDE: Espaço Xisto Bahia – Rua General Labatut – Barris (Biblioteca Central);
QUANTO: R$10,00 (inteira) R$5,00 (meia)

Para mais informações e fotos em alta resolução:



Contatos
Comunicação: Lívia Nery 71 8853-0704 livianery@gmail.com
Produção: Geise Oliveira 71 8886-6706 71 9292-8702 geise@teatrogrio.com.br
Teatro Griô 71 3018-4888 rafael@teatrogrio.com.br teatro@teatrogrio.com.br

sábado, 9 de abril de 2011

Maria Flor



Uma pequena história laranja e azul.

Diração, Edição, Direção de arte, Animação e Modelagem: Camila Carrossine
Empresa produtora: Buba Filmes
Produção executiva, Consultoria e Rigging: Alê Camargo
Trilha Sonora: Charles Tôrres
Ano: 2008
País: Brasil

Casa de Máquinas



Uma chave inicia o funcionamento de uma complexa estrutura mecânica onde planejadas reações em cadeia e acaso se misturam em cooperação. O movimento é mostrado em seu princípio enquanto energia e o caminho em que percorre, seja esse rumo à sincronia, caos ou algo entre os dois.

Direção, Produção, Fotografia, Roteiro, Direção de Arte, Animação e Montagem: Daniel Herthel e Maria Leite
Direção de produção: Maria Leite
Som direto, Edição de som e Música: Daniel Potter
Ano: 2007
Local de produção: MG-Brasil

Pajerama



Um índio é pego numa torrente de experiências estranhas, revelando mistérios de tempo e espaço.

Direção e Roteiro: Leonardo Cadaval
Produção: Paulo Boccato e Mayra Lucas
Música e Edição de som: Ruggero Ruschioni
Produção Executiva: Mayra Lucas e Michele Lavalle
Ano: 2008
Local de Produção: SP-Brasil

sábado, 2 de abril de 2011

Vida Maria



"Vida Maria" é uma das animações que mais me encantaram. Assisti pela primeira vez em 2007, no III Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual de Salvador. É um filme que mexe com a gente e nos faz pensar. Impossível não se emocionar com o duro destino de todas aquelas Marias. É impressionante como o autor conseguiu transformar uma realidade tão dura em uma obra de tamanha beleza e sensibilidade.

Maria José, uma menina de 5 anos de idade, é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece.

Direção, Roteiro, Edição, Direção de Arte, Edição de som, Computação grafica: Márcio Ramos, Produção: Joelma Ramos e Márcioa Ramos
Co-produção: Trio Filmes, VIACG
Produção Executiva: Isabela Veras (Trio Filmes)
Finalização: Link Digital
Mixagem: Érico Paiva "Sapão"
Música: Hérlon Robson
Storyboard: Michelângelo Almeida, Roberto Fernandez
Vozes: Márcio Ramos
Efeitos Sonoros: Danilo Carvalho
Contador: Silvério Neto
Transcrição ótica: Rob Filmes
Tradução: Laura Lee
Site: www.viacg.com
Revelação e Cópias: Labo Cine
Apoio: Colorgraf, Softimage Cat, Silicontech do Brasil
Patrocínio: Governo do Estado do Ceará, Secretaria Da Cultura, 3º. Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo